A vila de Mafra está mais "antiga"

Em Arqueologia, as descobertas arqueológicas surgem por vezes de forma inesperada, na sequência de achados fortuitos ou de ações programadas de acompanhamento de remoção de terra. Foi o que sucedeu na vila de Mafra, durante o acompanhamento arqueológico na área da Unidade de Saúde Mafra-Norte, promovido pelos serviços de Arqueologia da Câmara Municipal de Mafra.

A área da Quinta da Cerca, a Norte da “Rua de Trás do Castelo”, localiza-se no núcleo antigo da vila de Mafra, a conhecida “Vila Velha”. Estando provavelmente no exterior do antigo castelo, era plausível a identificação de vestígios medievais e modernos. Os trabalhos arqueológicos viriam a confirmar a ocupação medieval desta área, tendo sido identificados silos de várias épocas, incluindo a Alta Idade Média Islâmica, possivelmente remontando aos séculos X-XII.

A surpresa chegou com a realização de sondagens na área anexa ao edifício, tendo sido identificados vestígios de um povoado da Idade do Bronze datável do século XI a IX a.C., com uma cabana e várias estruturas anexas, constituindo um importante contributo para o conhecimento deste período no território português. Os vestígios encontrados constituem os mais antigos contextos arqueológicos registados na vila de Mafra, podendo corresponder à origem do núcleo populacional desta localidade.

A escavação decorre desde julho, com a colaboração de uma equipa de alunos de Arqueologia e História da Faculdade de Letras de Lisboa (licenciatura, mestrado e doutoramento), no quadro do protocolo de colaboração entre o Município de Mafra e a UNIARQ (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras de Lisboa). Os trabalhos arqueológicos estão em fase de conclusão, estando prevista a proteção das estruturas, ações de conservação e restauro dos materiais arqueológicos, a investigação destes achados e de divulgação dos resultados.